terça-feira, 16 de junho de 2026

Laboratório das Emoções: O Medo

Hoje, o medo foi o nosso convidado.

Começámos por conversar sobre os eles (os medos). Houve quem falasse com facilidade e quem precisasse de mais tempo para encontrar as palavras certas. Falámos dos medos que aparecem à noite, dos que vivem na imaginação e daqueles que surgem quando menos esperamos. Aos poucos, fomos percebendo que cada medo tem a sua história, mas que ninguém está sozinho quando o sente.

Depois, deixámos cair algumas gotas de tinta no papel e soprámo-las em diferentes direções. Entre manchas, caminhos inesperados e muita curiosidade, começaram a surgir formas estranhas e divertidas, prontas para ganhar olhos e transformar-se em pequenos monstrinhos.

Talvez porque os medos sejam um pouco assim: quando ficam escondidos, parecem maiores. Mas quando lhes damos espaço, forma e até um rosto, tornam-se mais fáceis de conhecer.

Porque olhar para o medo não o faz crescer. Às vezes, ajuda-nos apenas a vê-lo de maneira diferente.

Rita Marques, Psicóloga do 1.º Ciclo







Laboratório das Emoções: Semear a Amizade

As amizades cuidam-se como se cultiva uma planta. No Laboratório das Emoções temos falado disso: das coisas simples que fazem a diferença. Da importância de cuidar, ouvir, partilhar, respeitar e estar presente. Porque as amizades mais bonitas constroem-se, dia após dia, com pequenos gestos que alimentam raízes invisíveis.

O miminho que tem seguido para casa é muito mais do que um trabalho manual. É um lembrete! Tal como uma planta precisa de água, terra fértil e dedicação para crescer forte, feliz e saudável, também as amizades precisam de cuidado para florescerem e resistirem ao tempo.
Que cada criança leve consigo esta semente: a certeza de que os amigos são jardins especiais. E que, quando cuidamos deles com amor, paciência e respeito, acabam por encher a nossa vida das flores mais bonitas que existem.

Porque as plantas crescem onde são cuidadas. E as amizades também.

Rita Marques, Psicóloga do 1.ºCiclo.



Sobre o final do ano letivo

 Quando o final do ano letivo se aproxima e, no meio do cansaço normal de quem deu tudo, nasce um silêncio estranho. Um sabor agridoce. A satisfação do trabalho feito com verdade… misturada com a certeza de que talvez não estaremos ali no próximo setembro.

E custa. Custa porque as escolas não são feitas só de horários, concursos e colocações. São feitas de vínculos invisíveis. De crianças que se habituam à nossa voz, ao nosso lugar na sala, à forma como explicamos, ouvimos ou acalmamos. Há alunos que encontram finalmente um professor em quem confiam. Um psicólogo que os entende. Um técnico que repara neles quando o resto do mundo anda depressa demais.

E depois, de repente, tudo muda outra vez.

Em nome da instabilidade que já parece normalizada, interrompem-se continuidades importantes. Não apenas para os profissionais, mas sobretudo para as crianças. Porque aprender não é só cumprir programas. É sentir segurança. É reconhecer rostos. É criar referências. E isso leva tempo.

Talvez quem decide nunca veja a parte silenciosa destas mudanças. A criança que pergunta se “para o ano também vem”. O aluno que melhora porque finalmente criou confiança. Ou aquele abraço no último dia, dado por quem ainda não percebe bem porque é que os adultos que lhe fazem bem têm tantas vezes de partir.

Há profissões onde mudar é apenas mudar.

Na educação, raramente é só isso.
Rita Marques, psicóloga do 1.º ciclo.



Programa de Transição Positiva no 4.º ano

O 4.º ano é esse lugar estranho onde, pela primeira vez, se percebe que as coisas vão mudar a sério. Não é só mais um caderno cheio ou mais uma ficha terminada com pressa antes do recreio. É um ano que fica ali, suspenso, entre o que ainda é pequeno e o que já começa a crescer. E é precisamente nesse intervalo que se começa a preparar o salto. No meio dos desenhos, das portas que se abrem em papel e das salas inventadas, há conversas sérias sobre o que vem a seguir. No Laboratório de emoções e na "transição positiva" fala-se do que muda… e do que custa mudar. Nomeiam-se medos que às vezes nem sabiam explicar: a tristeza de deixar a professora, o receio de se afastar dos amigos, a ansiedade dos novos horários, das regras diferentes, até aquelas preocupações mais silenciosas, como perder o cartão da escola ou não saber bem como reagir a situações difíceis.

E, pouco a pouco, vai-se criando espaço para sentir e para aprender a lidar com o que se sente.
Amanhã é dia de dar um passo concreto. Vamos sair da escola que já é casa e visitar a próxima. Conhecer os cantos à casa, percorrer corredores novos, imaginar rotinas diferentes. E, no meio disso tudo, talvez perceber que o desconhecido, afinal, também pode ser habitável. Porque crescer não é deixar de ter medo. É ir, mesmo assim, com um bocadinho mais de ferramentas… e com a certeza de que não se vai sozinho.

Estamos aqui para o que for preciso!
Rita Marques, psicóloga do 1.º ciclo.







terça-feira, 12 de maio de 2026

Apresentação no 1.º Congresso Internacional "Psicologia, saúde e bem-estar: atualidades e desafios"


 Nos dias 22 e 23 de abril, o Serviço de Psicologia e Orientação do Agrupamento Escolas Pinhal de Frades esteve representado no 1.º Congresso Internacional "Psicologia, saúde e bem-estar: atualidades e desafios", organizado pela Universidade Lusíada - Lisboa

Na mesa "Educação, Saúde e Bem-Estar" foi apresentada uma comunicação com o tema: "Intervenção Psicológica Multinível em Contexto Escolar, no Agrupamento de Escolas Pinhal de Frades."
Um agradecimento muito especial à Professora Doutora Túlia Cabrita, pelo convite e por todo o acolhimento neste congresso, que foi um excelente momento de partilha.







sexta-feira, 17 de abril de 2026

II Congresso Internacional de Investigação em Práticas Educativas

No dia 17 de abril, o Serviço de Psicologia e Orientação do Agrupamento Escolas Pinhal de Frades esteve representado no II Congresso Internacional de Investigação em Práticas Educativas, organizado pela

No âmbito do debate em torno das transformações que desafiam a educação no século XXI, foi apresentada uma comunicação científica intitulada "Intervenção psicológica em pequeno grupo para jovens externalizantes".
Foi um privilégio poder levar o SPO de uma escola pública a participar ativamente neste evento, bem como uma oportunidade para contactar com partilhas inspiradoras e aprofundar conhecimentos sobre práticas educativas.







segunda-feira, 13 de abril de 2026

Finalização do processo de orientação vocacional

Já começam a sair alguns portefólios de orientação, o que significa que, para alguns alunos, este longo processo de autoconhecimento, exploração vocacional e tomada de decisão já começa a aproximar -se do fim. Fim desta primeira etapa, pois nos próximos anos (e hoje em dia, quem sabe se durante muitos anos) os processos de carreira ainda estão sujeitos a muitas alterações.

Sabemos que os adolescentes têm alguma dificuldade em projetar -se no futuro e pensámos que escrever uma carta ao seu "eu", em papel e com um envelope à antiga, sem preparação ou aviso prévio, poderia tornar-se um desafio um pouco assustador... Só que não! Talvez pelo momento solene de colocar o lacre na carta, talvez porque ficou prometido que só eles poderiam ler a carta (juro que não li!) ou simplesmente talvez porque estes miúdos estão mesmo uns crescidos, foi com um enorme empenho e tranquilidade que escreveram aquelas cartas. E não é que o espaço que havia na folha até pareceu insuficiente?! O que lá está escrito só eles saberão e esperamos que voltem a recordar esta incrível fase da vida... quando abrirem a carta em 2030!





sexta-feira, 27 de março de 2026

Visita à fábrica de Siemens (orientação vocacional)

No passado dia 19 de março, alguns dos nossos alunos foram conhecer a fábrica da Siemens em Corroios.

Esta fábrica é um centro de excelência na produção de carregadores para veículos elétricos. Fabrica soluções de carregamento rápido e ultrarrápido (Sicharche D), com cerca de 90% da produção a ser exportada.
Depois de ouvirem as recomendações de segurança, equiparam-se e entraram na fábrica. Tiveram a oportunidade de colocar as mais variadas perguntas aos diferentes guias que foram acompanhando a visita, enquanto foram observando a construção dos carregadores, desde a mais pequenina peça até ao resultado final.
Obrigada à organização pela reportagem fotográfica!





terça-feira, 17 de março de 2026

Reeducação da leitura e da escrita

Construção de programas de intervenção personalizados, que procuram ir ao encontro das necessidades dos alunos e acompanhar a evolução ao longo do ano. Personalizados, porque cada criança chega com um ponto de partida diferente, porque cada aluno tem a sua curva de aprendizagem e cabe -nos a nós criar condições para que todos consigam atingir o seu máximo potencial.

Estas são algumas das peças de um grande puzzle que se vai construindo todas as semanas: um programa de reeducação da leitura e da escrita para o 2.º Ciclo, com intervenção através de capacitação de um docente.








sexta-feira, 13 de março de 2026

Laboratório das Emoções no 1.º Ciclo

Quando um gesto cabe numa tira de papel não sabe o efeito que tem. Há sorrisos que podem durar um dia inteiro. Abraços que podem ser chão. E piscares de olho que trazem empatia. As crianças também escutam com o corpo. E com os olhos, através da forma como são tocadas pelo mundo.

São palavras que ficam. Não fazem barulho, mas ficam. Palavras que se colam à pele e, devagarinho, começam a fazer parte daquilo que a criança acredita ser. E assim, se trabalham as características boas que cada um reconhece em si. E as que os outros conseguem ver. Descobre-se que, é mais fácil elogiar do que aceitar o elogio. E que, quando o conseguimos fazer, podemos abrir pequenas janelas por dentro.

Um elogio não levanta a voz. Levanta o peito. E quando damos por isso, a criança cresce um pouco por dentro. Não para agradar mas para existir.

E assim vai o Laboratório de Emoções, onde a comunicação positiva não precisa de discursos. Precisa de presença. De escuta. De verdade.

E às vezes é só isso. Um gesto simples a dizer: tu importas.
Rita Marques, psicóloga do 1.º Ciclo.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Programa de mentorias

O Programa de Mentoria continua a ser implementado este ano letivo, mas promete trazer grandes mudanças!

Lançámos o desafio aos alunos do 9.º ano e o requisito principal era ambicioso: ter motivação para ser mentor de alunos mais novos, através da dinamização de aulas de DTT sobre técnicas de estudo, em todas as turmas de 5.ºano. Antes de começar, cada mentor teria que frequentar um workshop sobre o mesmo tema (porque dar o exemplo é essencial), dinamizado pela equipa do Programa de Mentorias.
Tendo em conta a complexidade dos requisitos e depois de termos ido às turmas de 9.º ano explicar muito bem o que pretendíamos, não esperávamos ter... quase 50 mentores inscritos!

O auditório estava bem composto, fez-se o workshop para os mentores, as sessões ficaram prontas para os mentores apresentarem nas aulas de DTT e os materiais para entregar aos mentorandos ficaram definidos... Já não falta muito para termos tudo pronto!!

Quanto aos mentores, também esperamos que interiorizem tudo o que vão ensinar aos mais novos, porque para o ano os mais novos serão eles! Que levem daqui ferramentas e que estas sejam úteis para o seu futuro!







quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Programa Sentir, Transformar, Observar e Parar (STOP)

O programa de intervenção psicológica Sentir, Transformar, Observar e Parar - STOP - chegou hoje à décima sessão!

Juntar, no mesmo grupo, alunos que têm em comum dificuldades de atenção/concentração, dificuldades de autocontrolo e de interiorização de regras e desmotivação escolar pode ser um grande desafio e nem sempre corre bem...

Sabemos também que estes alunos têm uma relação de amizade e preocupam-se uns com os outros. Partilham um Conselho de Turma extraordinário, têm uma Diretora de Turma muito especial e têm pais que confiaram em nós, que nos ouvem e que estão verdadeiramente connosco.
Hoje aproveitámos o bom tempo e fomos lá para fora trabalhar as competências habituais, mas ao ar livre com atividades divertidas e gargalhadas.

Não, não foi assim com esta boa disposição que começámos, mas é assim que vamos continuar. Que venham mais dez sessões, que esta história tenha o final feliz que tanto desejamos e obrigada a esta grande equipa: professores, pais e alunos.







segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Laboratório das Emoções: Semear a Amizade

Um jardim não cresce sozinho. A amizade também não. Semeia-se. Com cuidado. E com tempo. Cada flor é diferente. Cada criança também. Há dias de sol. Há dias de espera. Há dias em que parece que nada acontece. Mas acontece. Em pequenos gestos. Em palavras ditas com cuidado. Em silêncios respeitados.

Tal como o jardim, a amizade precisa de espaço, de atenção, de cuidado e de quem não puxe antes do tempo.
No "Laboratório das Emoções", aprende-se isto: cuidar é ficar. E crescer é juntos.
Rita Marques, psicóloga do 1.º ciclo.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Laboratório das emoções, autoconceito e limites do corpo

Novo semestre traz novas turmas. E novos abraços. E novas partilhas. Mas o mesmo frenesim.

É assim, no laboratório de emoções.
Chegam crianças diferentes. Dias diferentes. Estados diferentes.
Há quem chegue a correr. Há quem chegue devagar. Há quem chegue com o corpo tenso e quem chegue com vontade de colo.
Esta semana fala-se de autoconceito. De amizade. De respiração. E dos limites do corpo.
De saber quem se é. De saber estar com o outro. De parar. De ouvir o corpo quando ele avisa.
Aprende-se muito aqui. A par das letras e dos números. Onde se constroem bases. Seguranças. Formas de estar.
E no meio do frenesim, o laboratório continua a trabalhar. Todos os dias.
Rita Marques, psicóloga SPO - 1.º Ciclo







sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Emocion'arte: a arte como mediadora do sentir e do aprender

Emocion'arte

A arte regula porque abranda. Obriga a escolher, a parar, a decidir onde começa e onde acaba cada emoção. Não as elimina mas impede que se tornem indistintas. Ao separar, torna suportável. Ao tornar visível, torna ensinável..
A arte regula porque abranda. Obriga a escolher, a parar, a decidir onde começa e onde acaba cada emoção. Não as elimina mas impede que se tornem indistintas. Ao separar, torna suportável. Ao tornar visível, torna ensinável..
É nesse gesto atento que a arte revela o seu cuidado. Não exige clareza imediata, apenas presença. Oferece um tempo onde o sentir não precisa de ser explicado nem corrigido, apenas acolhido. E quando algo é acolhido, deixa de gritar.
Ao ganhar forma, a emoção perde urgência. Continua inteira, mas já não ocupa tanto. Há espaço para olhar, para respirar, para escolher o próximo passo. A arte não resolve, mas acompanha. E esse acompanhamento faz diferença.
A arte ensina sem instruções, através da experiência de fazer com as mãos aquilo que ainda não se consegue dizer com palavras.
No fundo, a arte não organiza emoções para as tornar aceitáveis. Organiza-as para que possam existir em relação. Com o corpo, com o outro, com o mundo. E é nessa relação — segura, humana, imperfeita — que se aprende melhor.
"Emocion’arte", um espaço onde a arte é usada como mediadora do sentir e do aprender, permitindo que crianças e jovens encontrem formas seguras de reconhecer, diferenciar e expressar emoções.
Rita Marques, psicóloga educacional.