Quando o final do ano letivo se aproxima e, no meio do cansaço normal de quem deu tudo, nasce um silêncio estranho. Um sabor agridoce. A satisfação do trabalho feito com verdade… misturada com a certeza de que talvez não estaremos ali no próximo setembro.
E custa. Custa porque as escolas não são feitas só de horários, concursos e colocações. São feitas de vínculos invisíveis. De crianças que se habituam à nossa voz, ao nosso lugar na sala, à forma como explicamos, ouvimos ou acalmamos. Há alunos que encontram finalmente um professor em quem confiam. Um psicólogo que os entende. Um técnico que repara neles quando o resto do mundo anda depressa demais.
E depois, de repente, tudo muda outra vez.
Em nome da instabilidade que já parece normalizada, interrompem-se continuidades importantes. Não apenas para os profissionais, mas sobretudo para as crianças. Porque aprender não é só cumprir programas. É sentir segurança. É reconhecer rostos. É criar referências. E isso leva tempo.
Talvez quem decide nunca veja a parte silenciosa destas mudanças. A criança que pergunta se “para o ano também vem”. O aluno que melhora porque finalmente criou confiança. Ou aquele abraço no último dia, dado por quem ainda não percebe bem porque é que os adultos que lhe fazem bem têm tantas vezes de partir.
Há profissões onde mudar é apenas mudar.
Na educação, raramente é só isso.

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